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ASAS ESPIRITUAIS

INTRODUÇÃO

Os pássaros possuem asas, logo, podem voar. Todo pássaro nasce com duas asas, mas senão desenvolvê-las jamais poderá alçar voo. Senão desenvolvê-las nunca conseguirá desprender-se do ninho e cumprir o propósito para o qual Deus o criou.
De igual modo se dá com o cristão: na regeneração, ele recebeu uma nova natureza que o possibilita conquistar as maiores alturas; porém, necessita desenvolver as suas asas espirituais. Sem este desenvolvimento será impossível desprender-se do ninho da carnalidade e manifestar o fruto do Espírito.
Nesta meditação, eu quero pensar com você em duas virtudes da nova criatura que podem ser comparadas às duas asas de um pássaro. Estas virtudes são a justiça e o amor.
Quando alguém nasce de novo, recebe uma nova natureza espiritual no coração. A essência desta nova natureza é a justiça e o amor. Isto justifica o abandono do pecado e a mudança radical no relacionamento com Deus e com as pessoas.
Um pássaro não conseguirá alçar voo com apenas uma de suas asas; tão pouco o cristão será capaz de viver a vida que Deus projetou para ele, se deixar de desenvolver uma destas virtudes.

1ª ASA: JUSTIÇA.
Justiça (grego: dikaiosune) = estado daquele que é como deve ser. (léxico de Strong)

Para entendermos o que é justiça segundo o conceito de Deus, seria interessante analisarmos três tipos de justiça: justiça natural, justiça religiosa e justiça real.
Por justiça natural compreendemos aquele tipo de justiça, que consiste em fazer o que é certo segundo o conceito do mundo.
Podemos definir a justiça natural como: obediência as leis do país onde nasceu ou mora. Cumprir os compromissos assumidos com o próximo. Honrar os deveres familiares e sociais, perante os parentes, amigos e conhecidos; e perante as autoridades constituídas.
Praticar essas coisas é o dever de todo ser humano, seja ele cristão ou não; a bem da verdade, isso até os ímpios fazem. A justiça natural, é por assim dizer, como a luz de uma vela numa noite escura, sem lua e sem estrelas. A luz de uma vela só tem expressão, no meio de grande escuridão; tal é a justiça natural. Ela só pode ser percebida e estimada, pelas pessoas que vivem nas trevas espirituais.
Por justiça religiosa queremos dizer aquela justiça que consiste de meras práticas religiosas; ou seja: a pessoa faz o que é certo, porém, com a motivação errada. Faz o que é certo, não por amar a Deus e temer o seu nome, mas porque deseja ser visto pelos homens a fim de receber deles a glória.
Esse tipo de justiça também só é percebido e estimado, por aqueles que agem da mesma forma.
Por justiça real nos referimos àquela justiça espiritual e sobrenatural que só pode ser praticada pela fé. Somente quem já nasceu de novo a pode praticar de fato. A pessoa que pratica esse tipo de justiça não o faz por causa dos benefícios, tampouco para obter o favor dos homens, mas, porque é o certo a ser feito. O espírito do homem que foi regenerado por cristo, não aceita outra conduta em sua vida, senão aquela que agrade o seu Senhor.
Esse tipo de justiça, consiste em fazer o que é certo de acordo com o conceito de Deus e não o dos homens. A bíblia diz que o caminho do justo é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. (Provérbios 4.18).

A fim de entendermos bem esta asa, vamos ver a primeira parte de I Coríntios 15.34 em algumas versões.

1. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis (versão atualizada).
Sobriedade (grego, eknefo) = recuperar-se da embriaguez, tornar-se sóbrio, voltar a ter uma mente sóbria, recobrar o bom senso.
Paulo compara o efeito do pecado, ao efeito do álcool. Assim como a embriaguez leva a perda do bom senso, o pecado à perda do senso de justiça. Ele apela para que os cristãos de Corinto abandonem o pecado e retomem a vida de justiça, com a mesma determinação que um alcóolatra deveria abandonar o álcool e voltar a viver sobriamente.

2. Despertai para a justiça, e não pequeis (tradução brasileira).
A pessoa quando dorme perde a noção de quem ela é e de onde ela está. Isto estava acontecendo com os cristãos de Corinto; eles estavam caindo no sono espiritual e perdendo a noção de quem eram em cristo. Paulo os admoestou a que despertassem para a condição de justos e abandonassem o pecado.
3. Como justos, recuperem o bom senso e parem de pecar. (NVI, nova versão internacional).
Esta advertência foi dirigida a pessoas convertidas, mas que ao longo do caminho, se deixaram envolver com ensino oriundo de fonte errada; ensino que negava a ressurreição de Cristo. Paulo os faz lembrar que são novas criaturas e os exorta para que recuperem o bom senso e retornem ao estado de justiça que haviam abandonado.
4. Como justificados que sois, recobrai o bom senso e não pequeis mais. (Versão King James).
Em termos bíblicos, justo é a condição daquele que ao conhecer Jesus, abriu mão da esperança de alcançar a justiça através do esforço próprio e depositou a totalidade da sua confiança no amor de Deus a fim de se tornar aquilo que deve ser; ou seja, agradável a Deus.

2ª ASA: AMOR
“Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” (Romanos 5.5).
A palavra grega “ágape” usada pelo apóstolo Paulo, no texto em pauta, para descrever o Amor, significa: amor fraterno, de irmão, afeição, boa vontade, benevolência. (léxico de Strong)
O amor “ágape” é a mais elevada virtude da vida cristã. Esse tipo de amor não é sentimento nem impulso que age sem refletir; pelo contrário, ele sempre age consciente do seu dever de buscar o bem-estar dos outros. Ele deve nortear todo o relacionamento do homem; seja com o seu próximo, seja com o seu Deus. (dicionário de Almeida)
O amor aqui referido, é mais do que palavras, é a própria natureza de Deus. A única diferença visível capaz de separar o cristão do mundo é esse amor. Esse tipo de amor só pode ser conhecido pela revelação e pelo efeito que produz no coração do homem regenerado.
Estamos familiarizados com o amor apenas poético, cantado em versos, cantado em prosa. Mas o amor é mais do que isso; o amor é uma atitude do coração: uma realidade da nova criação.
Outro termo grego do verso supra que devemos analisar aqui, é a palavra: derramado (ekcel) = despejar, derramar – dar ou distribuir amplamente (léxico de Strong)
A bíblia afirma em I João 4.8 que Deus é amor; isto quer dizer que o amor é a essência da natureza de Deus. Assim, quando Paulo diz que o amor de Deus está derramado em nosso coração, significa que o que foi depositado, abundantemente em nós, pelo Espírito Santo, na regeneração, foi a própria essência de Deus. Agora, temos que entender que este amor que foi derramado, amplamente em nosso coração, necessita ser praticado a fim de alcançarmos a maturidade cristã.
Tal qual a justiça, o amor faz parte da nova natureza que recebemos de Deus na regeneração. Porém, se quisermos voar mais alto em Cristo, temos que nos despertar para o amor tanto quanto para a justiça.