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Querida filha, como o tempo voa! Parece que foi ontem mesmo que eu lhe escrevi desejando feliz ano novo, e agora já é fim de ano outra vez. Nós estamos ansiosos para saber se você virá passar o réveillon conosco. Ontem, sua mãe foi ao shopping ver um vestido para a festa, mas voltou muito chateada, pois o único que gostou não coube nela. 

Minha filha, aproveitando o espírito natalino, eu quero lhe contar algo que aconteceu em dezembro do ano passado, aqui na vila. 

Certo dia, o carteiro que faz a distribuição do correio em nossa região, enquanto entregava as correspondências, foi surpreendido por uma cena jamais vista. Ao entregar uma carta numa casa simples do bairro, um menino pequenito lhe suplicou que levasse uma carta dele para o Papai Noel. O carteiro pensou em explicar-lhe que a história de Papai Noel não passa de uma fantasia, mas comovido pela inocência do garotinho, pegou a carta e se foi. No dia seguinte, antes de sair para cumprir sua tarefa, ele a leu para os seus colegas no correio. Eis o que o pequerrucho escreveu: 

“Papai Noel, eu ainda não sei escrever direito, mas precisava tanto dizer umas coisas para o senhor; por isto tomei a liberdade de lhe enviar esta carta. Por favor, não repare a minha má caligrafia, tampouco, meu pobre vocabulário.  

Papai Noel, acho que o senhor não gosta de criança pobre. Sabe por que eu penso assim? Porque para algumas delas o senhor só dá presentes de pouco valor; e para outras, nem isso dá. Já para as ricas, o senhor sempre dá os melhores e mais belos presentes. Desculpe, Papai Noel, a minha franqueza, mas eu penso que isto não é justo! Os melhores presentes deveriam ser entregues às crianças pobres, não às ricas; pois elas já têm tudo o que desejam. Analise comigo, Papai Noel, e veja se eu não estou certo! As crianças ricas já têm os pais ricos para presenteá-las, enquanto as pobres, seus pais não possuem recursos suficientes para lhes dar presentes bons. 

Eu digo isso, Papai Noel, não por mim, mas pelo meu irmãozinho. Todos os anos, quando chega o natal, ele vai dormir na expectativa de que durante a noite, o senhor venha à nossa casa lhe deixar um presente. Precisa ver sua tristeza, quando acorda pela manhã e descobre que o senhor não passou por aqui. O bichinho chora tanto e diz que o senhor não gosta dele, só porque somos pobres.  

Ah! papai Noel! me corta o coração, pensar que, enquanto os meninos ricos exibem com alegria os belos presentes de natal que o senhor lhes deu, o meu irmãozinho passa o dia inteiro choramingando pelos cantos da casa, sem um presente sequer para mostrar. 

Papai Noel, eu queria lhe pedir um grande favor; será que neste ano o senhor poderia passar aqui em minha casa e deixar um presente de natal para ele? Não tem problema que não haja presente para mim, eu já estou acostumado com isso e não me importo de ficar sem, mas ele ainda é pequeno demais para entender certas coisas da vida.  

Na verdade, eu queria trabalhar para eu mesmo comprar o presente do meu irmãozinho neste natal, mas a minha mãe disse que ainda sou muito pequeno para fazer isso. Contudo, eu prometo ao senhor que será só neste ano. No próximo, eu já estarei maiorzinho, então, irei trabalhar e ajuntar um dinheirinho para no natal comprar o presente dele. 

Certo de que o senhor atenderá o meu pedido, fico no aguardo.  

Assinado, Juquinha.” 

Ao ouvir a leitura da carta, todos ficaram emocionados e decidiram fazer uma coleta entre os funcionários do correio e as pessoas generosas que quisessem ajudar. Então, todos nós que contribuímos, na manhã de natal fomos lá na casa do garotinho entregar os presentes. Minha filha, eu nunca vi tanta alegria de uma só vez.  

Eu voltei para casa pensando numa coisa que o Senhor Jesus disse:  

“Mais bem-aventurado é dar que receber”.  

Ah, filha, eu estava esquecendo de te dizer algo importante: nós apelidamos aquele funcionário do correio de “Carteiro Noel”. 

 

História extraída do livro ” Contos de Paulo & Wilmar, volume 1″ escrita por Wilmar Soares Siqueira e Paulo Soares de Siqueira; Editora Happy Books.