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O Poeta e a Ostra.  

 

Caminhando pela praia o Poeta viu uma ostra solitária na areia, então aproximou-se dela e ternamente comentou 

– Minha pequena Ostra, você parece estar tão triste, o que se passa 

Desolada, a pobre Ostra respondeu:  

– Ah, meu bom Poeta, fico muitíssimo grata por importar-se comigo, mas ainda que eu dissesse o que sinto, ninguém poderia compreender a dimensão da minha dor.  

– Talvez não, mas quem sabe, se falar, não se sentirá melhor?  

– É! Pode ser que você tenha razão. Contudo, bem; eu não sei se…  

 Ostra, caso queira falareu posso ouvi-la 

– Está bem, Poeta, vou tentar. Eu era uma Ostra feliz. Vivia despreocupadamente em meu habitat. Sempre que surgia uma ameaça, eu fechava-me na minha concha e ficava tranquila. Porém, certo dia, sei lá como, um grão de areia ou um parasita qualquer, entranhou em mim, e desde então, eu tenho sofrido tanto!  

– Pobre Ostra, eu entendo a sua dor! Pois assim como você, eu sei o que é sofrer.  

– Ah, Poeta, eu não quero subestimar, seja qual for, o infortúnio que porventura lhe tenha sobrevindo, mas nenhum sofrimento neste mundo se compara com o meu!  

Enquanto a infeliz Ostra defendia a sua condiçãopercebeu que duas lágrimas, como se fossem duas pérolas, rolaram dos olhos do Poeta; então, compadecida dele, exclamou 

– Poeta, você está chorando! Eu não queria ofendê-lo, juro que não queria, por favor, perdoe-me por haver lhe causado essas lágrimas!  

– Ah, minha inocente Ostra! Quando eu disse que entendo a sua dor, é porque assim como você, um dia, eu fui ferido, não só na minha carne, mas também em minha alma.  

– O que você quer dizer com isso, Poeta?  

– Ostra, observe minhas mãos e meus pés, isso não desperta sua memória para lembrar de nada 

– Oh, céus! Como que eu não percebi isso antes! Poeta, você é Jesus, o meu amado Criador!.  

– Querida Ostra, quando eu tomei sobre mim, a culpa dos pecadores e fui traspassado pelas iniquidades deles, era como se um corpo estranho tivesse invadido a minha natureza santa.  

Entretanto, eu fiz daquele sofrimento a oportunidade de liberar o nácar do meu gracioso amor, a fim de gerar a mais bela, preciosa e singular pérola que pode haver, a minha amada “Igreja”.  

Agora, que a minha pérola de grande valor está alcançando a plenitude da maturação, eu vou levá-la para exibi-la diante dos poderosos anjos e arcanjos, serafins e querubins na corte do Reino de meu Pai.  

Ostra, assim como eu fiz, encontre em seu sofrimento a oportunidade para produzir uma joia preciosa. Sinta-se privilegiada, pois você foi escolhida entre milhares de ostras, para formar uma pérola única, pedra de beleza natural, gema que causará grande alegria àquele que a encontrar.  

Quando o Poeta concluiu sua fala, a praia estava coberta de seres marinhos que bradaram numa só voz:  

“Maranata, ora vem, Senhor Jesus!”  

 

Wilmar Soares, 22/04/2020.