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Prefácio

Eu moro no décimo segundo andar de um edifício; no sopé deste arranha céu, abaixo da minha janela, existe uma árvore de quase trezentos anos. Os galhos desta bela árvore têm servido de palco para o maior cantor do mundo; eu me refiro ao sabiá: a quem dedico esses versos.

 

Sabiá

Ah, Sabiá…se você soubesse o quanto o seu canto me encanta,

você nunca deixaria de cantar

Mas me contento com o seu canto na primavera,

pois sei que é sua estação própria de cantar.

 

Ah, sabiá…o que me encanta é que você canta,

sem fazer conta se alguém escuta o seu cantar.

você canta e encanta, porque seu canto é espontâneo,

como um rio que corre para o mar.

 

Sabe, sabiá, mesmo você aí embaixo na árvore,

e eu aqui encima no décimo segundo andar;

nós temos duas coisas em comuns:

o mesmo Senhor e Criador e o mesmo dom de cantar.

 

Sabe, meu sabiá, assim como você, eu também canto;

não sei se encanto como você encanta,

mas sei que canto como você canta;

porque assim como você, eu canto pelo prazer de cantar.

 

Canto porque cantar faz parte de mim,

canto porque Deus me fez para cantar;

canto porque deixar de cantar seria o meu fim,

canto porque preciso viver para cantar.

 

Wilmar Soares  – 20/05/2018